Foto: Imagem do Google editada com IA
Por que o Bradesco Seguros comprou uma torre inteira na Região Portuária do Rio?
Em vez de apenas alugar escritórios, o Grupo Bradesco Seguros comprou o Port Corporate e levou milhares de profissionais para o Porto. Entenda o tamanho e a lógica dessa decisão.
Quem passa pela Avenida Rio de Janeiro, perto da Rodoviária Novo Rio, talvez veja apenas mais uma grande torre corporativa do Porto. Mas o Port Corporate tem uma característica que o diferencia de muitos outros edifícios da região: o Grupo Bradesco Seguros não decidiu simplesmente ocupar alguns andares.
Comprou o prédio inteiro.
A operação foi anunciada em 2018 e envolveu a aquisição do edifício da Tishman Speyer por uma empresa imobiliária do próprio Grupo Bradesco Seguros. O Port Corporate possui cerca de 40 mil metros quadrados e 18 pavimentos de escritórios, em padrão corporativo Triple A.
O valor informado posteriormente para a aquisição foi de aproximadamente R$ 320 milhões.
Isso ajuda a entender que não se tratava de uma mudança provisória. Ao comprar a torre, o grupo fez uma aposta de longo prazo na Região Portuária.
Antes disso, boa parte das equipes cariocas do Grupo Bradesco Seguros estava concentrada em um conjunto de prédios na Barão de Itapagipe, no Rio Comprido. A nova sede permitiu reunir áreas que estavam espalhadas em diferentes estruturas e criar um único grande campus vertical.
Quando anunciou a compra, o Bradesco explicou que pesaram na decisão a localização, a proximidade das principais vias expressas, o acesso aos aeroportos e principalmente a qualidade técnica e ambiental do imóvel. O edifício fica perto da Avenida Brasil, da Linha Vermelha, da Ponte Rio–Niterói e dos acessos ao Centro.
Existe ainda outro detalhe importante: o Port Corporate já havia sido concebido como um edifício de alto padrão, com grandes lajes corporativas de aproximadamente 2 mil metros quadrados e certificação LEED Gold. Entre suas soluções estão sistemas de reaproveitamento de água e medidas para redução do consumo de recursos naturais.
Para uma empresa que pretendia concentrar milhares de trabalhadores em um único endereço, isso fazia bastante diferença.
A mudança ganhou escala em 2019.
Relatórios da então CDURP registraram que cerca de 3.500 funcionários foram transferidos para o Port Corporate naquele ano. Outra apresentação institucional relacionada ao Porto menciona aproximadamente 3.700 funcionários e colaboradores na nova sede. Como os números variam conforme o momento e a inclusão de terceiros, a maneira mais segura de resumir é dizer que a transferência envolveu mais de três mil profissionais.
Era gente suficiente para alterar a rotina daquele trecho do Porto.
Na prática, milhares de pessoas passaram a chegar todos os dias para trabalhar em uma área que, durante muitos anos, teve uma circulação muito mais ligada à Rodoviária, ao INTO, aos acessos viários e às atividades portuárias.
Mas afinal, o que funciona dentro do Port Corporate?
Desde o anúncio da compra, o Grupo Bradesco Seguros informou que o edifício reuniria suas operações concentradas no Rio de Janeiro, incluindo principalmente a Bradesco Saúde e a Bradesco Auto/RE.
Essas empresas continuam oficialmente vinculadas ao endereço.
A Bradesco Saúde informa atualmente sua sede na Avenida Rio de Janeiro, 555 – Port Corporate Tower, enquanto a Bradesco Auto/RE também mantém seu endereço registrado no mesmo edifício.
Dentro de uma estrutura dessa dimensão trabalham áreas muito diferentes: gestão de planos de saúde, seguros patrimoniais e automotivos, análise de riscos, sinistros, tecnologia, atendimento corporativo, finanças, jurídico, compliance, recursos humanos, operações e áreas administrativas.
Ou seja, não é uma agência do Bradesco nem um grande posto de atendimento bancário.
É uma sede empresarial do braço de seguros e saúde do grupo.
E existe uma empresa ali que muita gente provavelmente nunca ouviu falar, mesmo utilizando planos de saúde.
A Orizon mantém operação no Port Corporate, ocupando atualmente o 7º e o 8º andares do endereço da Avenida Rio de Janeiro, 555. A empresa é uma health tech especializada em tecnologia, análise de dados, automação e processamento de informações para o setor de saúde suplementar. Seus sistemas conectam operadoras, hospitais, clínicas, laboratórios e outros prestadores.
Isso cria uma concentração interessante dentro do mesmo edifício.
De um lado, uma das maiores operadoras de saúde do país. Do outro, uma empresa de tecnologia dedicada justamente à infraestrutura digital do setor de saúde.
É por isso que o Port Corporate pode ser visto como mais do que uma sede administrativa.
Ele ajudou a criar um pequeno polo de seguros, saúde e tecnologia dentro da Região Portuária.
A presença do Bradesco também teve peso simbólico para o Porto Maravilha. No momento da compra, vários edifícios corporativos construídos durante a revitalização ainda enfrentavam elevada vacância. A aquisição de uma torre inteira por um grupo desse porte transmitiu ao mercado uma mensagem importante: uma grande empresa brasileira estava disposta não apenas a alugar espaço, mas a transformar aquele endereço em sua base permanente no Rio.
A própria companhia destacou sua ligação histórica com a cidade ao anunciar a mudança. Em vez de deslocar toda a estrutura carioca para São Paulo, escolheu permanecer no Rio e investir em uma sede moderna dentro do novo eixo empresarial do Porto.
Para quem acompanha a região de perto, o efeito aparece também do lado de fora.
Milhares de trabalhadores significam demanda diária por alimentação, transporte, estacionamento, serviços, manutenção, hotéis e comércio. É exatamente esse tipo de fluxo que ajuda um bairro empresarial a funcionar além das paredes dos grandes edifícios.
Hoje, olhando o conjunto formado pelo Port Corporate, AQWA Corporate e outras torres entre o Santo Cristo e o Caju, fica mais fácil perceber como esse trecho ganhou uma vocação própria.
Na Saúde surgiram núcleos ligados a bancos, seguradoras e empresas de serviços. Mais adiante, no Santo Cristo e no Caju, aparecem grandes operações de seguros, saúde, energia, tecnologia e serviços corporativos.
O Bradesco foi uma das empresas que ajudaram a dar escala a esse movimento.
E talvez seja essa a principal resposta à pergunta inicial.
O Grupo Bradesco Seguros comprou uma torre inteira porque não estava procurando apenas um novo escritório. Estava criando uma sede de longo prazo para concentrar milhares de pessoas e diferentes operações em um único endereço.
A compra do Port Corporate acabou produzindo também um efeito que ultrapassou os interesses do próprio grupo: ajudou a consolidar a Região Portuária como alternativa real aos tradicionais centros empresariais do Rio.
Você trabalha ou já trabalhou no Port Corporate? Conhece outras empresas ou áreas do Grupo Bradesco que funcionam atualmente no prédio? Conte nos comentários do artigo. Essas informações de quem vive o edifício diariamente podem ajudar o ClassiX Rio a manter este mapa empresarial cada vez mais preciso.
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Marcio do ClassiX
Desenvolvedor Full Stack e fundador do ClassiX. Com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, minha missão é criar soluções digitais que transformam o cenário do comércio e da informação no Porto Maravilha em realidade.
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