Como um antigo armazém do Porto virou o cérebro da Águas do Rio Foto: Composição de imagens da internet geradas por IA
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Corporativismo no Porto

Como um antigo armazém do Porto virou o cérebro da Águas do Rio

No Armazém 2, onde antes funcionava uma estrutura ligada à atividade portuária, hoje operadores acompanham água e esgoto em tempo real para milhões de pessoas. Conheça o COI da Águas do Rio.

Por Marcio do ClassiX · 15 de Setembro de 2026 · 7 min de leitura · 57 views ·

Quem passa pela Avenida Rodrigues Alves e olha para os antigos armazéns do Porto talvez enxergue primeiro a memória industrial da região. Tijolos aparentes, estruturas metálicas e uma arquitetura pensada para uma época em que mercadorias chegavam e saíam pelo cais.

Mas no Armazém 2 acontece hoje uma operação completamente diferente.

Ali funciona a sede da Águas do Rio e, dentro dela, o Centro de Operações Integradas, o COI, uma espécie de cérebro da companhia. É de lá que equipes acompanham, em tempo real e durante 24 horas por dia, os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário atendidos pela concessionária.

O contraste é curioso: um espaço criado em outro momento da história do Porto, ligado à armazenagem de mercadorias, agora abriga telas, sensores, mapas digitais, sistemas de georreferenciamento e inteligência operacional.

Documentos históricos e patrimoniais descrevem o Armazém 2 como uma construção do cais destinada originalmente à guarda de produtos importados. Sua estrutura conserva características marcantes dos antigos armazéns portuários, incluindo fachada de tijolos aparentes e elementos estruturais metálicos.

Quando a Águas do Rio passou a ocupar o imóvel, o interior precisou ser adaptado para receber uma operação totalmente diferente. A nova sede administrativa ocupa aproximadamente 3.500 m², e a obra exigiu autorizações de órgãos de preservação justamente por se tratar de um patrimônio histórico da cidade.

A ideia foi conservar a identidade do armazém por fora e inserir tecnologia e infraestrutura corporativa por dentro.

E é justamente no COI que essa transformação fica mais evidente.

Em uma grande sala de monitoramento, operadores acompanham informações vindas de diversos pontos da rede. Entre os dados observados estão pressão da água, níveis de reservatórios, funcionamento de unidades, distribuição, coleta e tratamento de esgoto, além de ocorrências que possam indicar alguma anormalidade no sistema. O objetivo é identificar problemas rapidamente e permitir uma resposta mais ágil das equipes de campo.

Quando o centro começou a ser implantado, a empresa anunciou cerca de 3 mil pontos de acompanhamento distribuídos pela área de concessão e aproximadamente R$ 10 milhões investidos em sensores, equipamentos e softwares.

Hoje, essa estrutura acompanha uma operação enorme.

A Águas do Rio atua em 27 municípios do estado e em 124 bairros da capital, atendendo cerca de 10 milhões de pessoas. É uma área que inclui diferentes partes da Região Metropolitana e municípios do interior.

Ou seja: quando alguém abre uma torneira em bairros muito distantes do Porto, parte das informações necessárias para acompanhar aquele sistema pode estar passando por telas dentro de um antigo armazém da Saúde.

Isso não significa que tudo seja controlado remotamente de lá. O COI funciona como um centro de inteligência e coordenação. Quando surge uma situação que exige intervenção física, equipes operacionais e técnicos espalhados pelas cidades atendidas entram em ação.

É a mesma diferença que encontramos em outras grandes empresas instaladas no Porto: a sede pensa, acompanha e coordena; as bases operacionais executam o trabalho no território.

A escolha do Porto para essa estrutura também chama atenção.

A companhia iniciou sua operação plena em 2021 e instalou sua sede justamente em uma área que estava passando por um processo de reaproveitamento de imóveis históricos e atração de novas empresas. O endereço oficial da concessionária permanece na Avenida Rodrigues Alves, 10, Armazém 2, Saúde.

O Porto oferecia algo pouco comum: um imóvel de grande escala, com identidade histórica, localização central e espaço suficiente para reunir administração e tecnologia em um mesmo endereço.

E existe um simbolismo difícil de ignorar.

Durante décadas, os armazéns eram peças fundamentais da logística portuária. Guardavam mercadorias e ajudavam a movimentar a economia da cidade. Hoje, parte dessa mesma estrutura abriga uma empresa que administra outra infraestrutura essencial: água e saneamento.

O prédio continua ligado à ideia de operação e logística. O que mudou foi aquilo que circula por dentro dele.

Também existe uma curiosidade sobre visitas.

O COI já recebeu agências reguladoras, representantes de prefeituras, dirigentes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e comitivas de engenheiros. Em março de 2026, por exemplo, presidentes de diferentes CREAs visitaram o centro para conhecer as tecnologias utilizadas na gestão da distribuição de água e saneamento.

Essas visitas, porém, são técnicas e institucionais. Não encontrei indicação de que o Armazém 2 ou o COI funcionem como espaço de visitação pública regular, com entrada livre ou programação permanente para moradores.

Talvez isso torne o lugar ainda mais curioso para quem vive na Saúde, Gamboa ou Santo Cristo.

Muita gente passa pelo prédio todos os dias sem imaginar que, atrás da fachada histórica, existe uma sala acompanhando redes de água e esgoto que atendem milhões de pessoas.

É um exemplo muito claro do que está acontecendo em vários pontos do Porto Maravilha: estruturas construídas para uma cidade industrial estão recebendo funções que pertencem a uma cidade cada vez mais tecnológica.

E, neste caso, a mudança aconteceu sem apagar completamente a memória do lugar.

O Armazém 2 continua parecendo um armazém do Porto.

Só que agora, em vez de mercadorias empilhadas, abriga dados, engenheiros, operadores e decisões que ajudam a fazer água chegar às casas de milhões de fluminenses.

Você já sabia o que funcionava dentro do Armazém 2? Já passou por ali e imaginou que aquele prédio histórico abrigava toda essa tecnologia? Conte nos comentários do artigo.

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Marcio do ClassiX

Desenvolvedor Full Stack e fundador do ClassiX. Com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, minha missão é criar soluções digitais que transformam o cenário do comércio e da informação no Porto Maravilha em realidade.

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