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Antes dos armazéns havia praias: como era a região do Porto do Rio antes dos grandes aterros?
Onde hoje existem a Rodrigues Alves, armazéns, terminais e quadras inteiras, a Baía de Guanabara avançava muito mais. Praias, enseadas, mangues, ilhas e trapiches formavam uma paisagem quase irreconhecível.
Tente imaginar a Rodrigues Alves debaixo d'água
Quem percorre hoje a Avenida Rodrigues Alves encontra uma longa faixa praticamente plana entre os morros antigos e a Baía de Guanabara.
Na Saúde e na Gamboa, estão os armazéns do porto, a Orla Conde, vias largas, edifícios e estruturas construídas para uma cidade que aprendeu a enxergar aquele chão como se ele sempre tivesse existido. No Santo Cristo, a paisagem se abre em direção à Francisco Bicalho, ao Terminal Gentileza, à Rodoviária e aos antigos terrenos ferroviários. Seguindo para São Cristóvão e Caju, surgem grandes instalações logísticas e portuárias.
Mas boa parte desse terreno não existia da maneira como existe hoje.
Antes das sucessivas obras de aterramento, a linha da Baía de Guanabara chegava muito mais perto dos morros da Conceição, da Saúde, da Gamboa e da Providência. Havia praias, pequenas enseadas, terrenos alagadiços, mangues, trapiches, ilhas e embarcadouros espalhados ao longo da costa.
A atual Zona Portuária nasceu, em grande medida, de uma cidade que literalmente avançou sobre o mar. Estudos históricos da Prefeitura descrevem o atual espaço portuário como resultado de extensas demolições e aterros realizados na Baía de Guanabara, sobretudo durante a construção do porto moderno no início do século XX.
E esse processo começou antes mesmo das grandes obras de 1904.
Antes do porto moderno, não havia um grande cais contínuo
Durante boa parte dos períodos colonial e imperial, o Rio de Janeiro não possuía na região aquilo que hoje reconhecemos como um porto estruturado por quilômetros de cais.
A atividade marítima era distribuída por diferentes pontos da costa. Trapiches, pequenos cais, armazéns particulares e embarcadouros atendiam navios e embarcações em locais diferentes.
Com o crescimento da cidade, as atividades portuárias foram se deslocando progressivamente em direção à Prainha, ao Valongo, à Saúde e ao Saco da Gamboa. O historiador Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão identifica justamente esse deslocamento como uma das chaves para compreender a formação da atual região portuária.
A própria escolha da Saúde e da Gamboa para receber o futuro porto moderno não foi casual. A região já concentrava cais, trapiches, depósitos e casas comerciais ligados ao comércio marítimo. O IRPH registra que essa concentração ajudou a consolidar a área como o local considerado adequado para a implantação do novo porto.
Só que o desenho da costa era completamente diferente.
Prainha e Valongo: quando o mar chegava aos pés do Morro da Conceição
Um dos exemplos mais fáceis de visualizar está nos arredores do atual Largo de São Francisco da Prainha.
O nome Prainha não é decorativo.
Ele preserva a memória de uma antiga faixa litorânea existente naquela parte da cidade, próxima ao Morro da Conceição. A costa seguia por Valongo e Saúde antes de alcançar as enseadas da Gamboa.
O Cais do Valongo ajuda a entender o quanto o mar estava próximo.
A UNESCO registra que o cais começou a ser construído em 1811, diretamente sobre a antiga praia do Valongo, seguindo o contorno natural do terreno. Havia uma rampa e degraus chegando à água para permitir o desembarque.
Isso significa que o lugar onde hoje uma pessoa observa o sítio arqueológico na Praça Jornal do Comércio estava, no século XIX, praticamente junto à Baía de Guanabara.
O Valongo foi transformado novamente em 1843, quando o local foi remodelado para receber Teresa Cristina de Bourbon, futura imperatriz do Brasil, passando a ser chamado de Cais da Imperatriz. Posteriormente, em 1911, a área foi novamente aterrada durante as reformas portuárias.
As camadas arqueológicas que vemos hoje são, portanto, também camadas da antiga linha do mar.
Saúde: um bairro que já esteve muito mais perto da Baía
Hoje, quem está na Rua Sacadura Cabral ou nos pés do Morro da Conceição precisa atravessar uma larga faixa urbana antes de chegar ao atual cais.
No passado, essa distância era muito menor.
A área da Saúde possuía praia, pequenos ancoradouros e diversos pontos de movimentação de mercadorias.
Foi também nessa faixa da cidade que cresceram atividades ligadas ao desembarque de gêneros, armazenamento e comércio marítimo. O avanço dos trapiches e cais em direção à Saúde fazia parte da expansão portuária que antecedeu a construção do porto moderno.
Os morros que hoje parecem afastados do mar funcionavam como elementos diretamente ligados à paisagem litorânea.
Esse detalhe muda completamente a leitura de lugares como o Morro da Conceição e a Pedra do Sal.
A Pedra do Sal não surgiu no meio de uma área urbanizada distante da água. Sua história está associada a uma região de desembarque e circulação de mercadorias junto ao antigo litoral.
Gamboa: havia uma enseada onde hoje existem cais e armazéns
Talvez uma das mudanças mais impressionantes esteja na Gamboa.
O próprio termo gamboa pode designar uma pequena enseada ou braço de mar, e documentos históricos mostram que ali existia o chamado Saco da Gamboa.
A paisagem reunia águas relativamente protegidas, encostas, propriedades, trapiches e caminhos que acompanhavam o litoral.
No século XIX, o Cemitério dos Ingleses estava praticamente debruçado sobre essa paisagem marítima. Sua localização original junto à Praia da Gamboa evidencia como a linha costeira chegava muito mais próxima das encostas do bairro.
A região já possuía inclusive infraestrutura ferroviária antes do grande porto moderno. Em 1879 foi inaugurado o chamado Túnel da Marítima ou Túnel da Gamboa, ligando a Estrada de Ferro Dom Pedro II à área portuária para movimentação de cargas.
A partir do início do século XX, porém, o Saco da Gamboa foi profundamente alterado.
O enorme aterro criado para o novo porto empurrou a Baía de Guanabara para longe dos morros.
No lugar da antiga enseada surgiram cais contínuos, armazéns, linhas ferroviárias e a faixa territorial sobre a qual mais tarde seria implantada a Avenida Rodrigues Alves.
Santo Cristo: Praia Formosa, Saco dos Alferes e ilhas que desapareceram
Quando chegamos ao Santo Cristo, a transformação começa antes mesmo das famosas obras do porto do início do século XX.
A região possuía uma geografia bastante recortada.
Ali estavam o Saco dos Alferes, a Praia Formosa, áreas alagadiças e pequenas ilhas.
O Arquivo Nacional descreve o Saco dos Alferes como uma pequena enseada situada entre o Saco de São Diogo e a Gamboa.
A documentação do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade registra que, entre as décadas de 1880 e 1890, empresas privadas já promoviam aterros na região da Praia Formosa, hoje relacionada à Rua Pedro Alves, alcançando as ilhas das Moças e dos Melões, diante do Saco dos Alferes e de São Cristóvão.
Portanto, quando começaram as obras do porto moderno, parte da paisagem natural já havia sido modificada.
Esses aterros permitiram a abertura de terrenos, loteamentos e novas vias.
A antiga Praia Formosa desapareceu progressivamente da cartografia urbana, enquanto ilhas e baixios passaram a integrar o continente.
É um processo difícil de perceber hoje porque não restaram placas dizendo:
“aqui havia mar.”
São Cristóvão também tinha praia
A transformação da costa não terminou no Santo Cristo.
São Cristóvão possuía contato direto com a Baía de Guanabara e tinha uma extensa faixa conhecida como Praia de São Cristóvão.
Hoje isso parece quase impossível para quem circula entre a Avenida Francisco Bicalho, a Avenida Brasil, a Quinta da Boa Vista e os antigos terrenos ferroviários.
Mas o IRPH registra que, em 1924, o aterro da Praia de São Cristóvão e o prolongamento do cais do porto em direção ao Caju afastaram definitivamente o bairro de seu antigo litoral.
Em outras palavras, São Cristóvão é hoje um bairro sem praia porque uma enorme parcela do antigo contato com a baía foi substituída por terras aterradas, infraestrutura portuária e grandes vias.
Esse processo ajuda a explicar por que a relação histórica de São Cristóvão com o Porto do Rio é muito maior do que pode parecer no mapa contemporâneo.
E o Caju?
O Caju manteve por mais tempo uma relação evidente com a Baía de Guanabara, mas sua costa também foi profundamente alterada.
Com o prolongamento das instalações portuárias para o norte e a expansão das atividades industriais e logísticas, a região passou a receber cais, terminais, aterros e grandes instalações.
A expansão do porto até o Caju foi parte da mesma transformação que afastou São Cristóvão de sua antiga praia em 1924.
O resultado é a paisagem atual: uma região em que o contato com a Baía continua existindo fisicamente, mas em grande parte mediado por áreas portuárias, terminais, indústrias e instalações de acesso controlado.
A grande virada: a construção do Porto do Rio
Embora os aterros anteriores sejam fundamentais, a transformação de maior escala ocorreu no começo do século XX.
Em 1903, o Governo Federal contratou a empresa britânica C. H. Walker & Co. Ltd. para executar as obras de construção e modernização portuária.
Os trabalhos incluíram a construção de novos cais e instalações que deram origem ao Porto do Rio moderno. A inauguração oficial ocorreu em 20 de julho de 1910.
Para construir essa infraestrutura, foi necessário produzir uma nova faixa territorial.
O estudo Dos Trapiches ao Porto descreve o novo porto como uma estrutura implantada sobre um espaço físico artificialmente produzido por grandes aterros na Baía de Guanabara. Sobre esses terrenos foram abertas ruas e avenidas, instaladas ferrovias e construídos grandes armazéns.
Foi nesse momento que a antiga sucessão de praias, pequenas enseadas e trapiches deu lugar a uma frente portuária praticamente contínua.
A geografia urbana mudou para sempre.
O mar foi empurrado para longe dos morros
Talvez essa seja a melhor forma de visualizar a mudança.
Antes dos aterros, os morros históricos funcionavam quase como uma parede natural junto ao litoral.
Depois deles, surgiu entre os morros e a Baía uma grande planície artificial.
Nessa nova faixa foram instalados, ao longo do tempo:
- cais;
- armazéns;
- linhas ferroviárias;
- pátios de carga;
- Avenida Rodrigues Alves;
- instalações portuárias;
- terminais;
- galpões;
- grandes equipamentos urbanos;
- posteriormente, viadutos, túneis e novas vias.
Por isso existe uma diferença tão marcante entre os dois lados de diversas ruas da Zona Portuária.
De um lado está a cidade antiga, adaptada ao relevo dos morros.
Do outro está uma cidade muito mais plana, regular e aberta.
Essa segunda paisagem é, em grande parte, território conquistado sobre a Baía de Guanabara.
O que mudou na paisagem?
A transformação pode ser resumida em quatro movimentos.
1. Praias desapareceram
A antiga costa da Prainha, Valongo, Saúde, Gamboa, Praia Formosa e São Cristóvão foi progressivamente modificada ou eliminada pelos aterros.
2. Enseadas foram preenchidas
Sacos como os da Gamboa e dos Alferes, que penetravam no território e ofereciam abrigo a embarcações, deixaram de existir na forma original.
3. Ilhas passaram a fazer parte do continente
A documentação histórica registra aterros envolvendo as antigas ilhas das Moças e dos Melões na região do Santo Cristo e de São Cristóvão.
4. Surgiu uma nova linha costeira
O cais moderno estabeleceu uma frente praticamente retilínea onde antes existia uma costa recortada por praias e enseadas.
A cidade não apenas ocupou o litoral.
Ela redesenhou o litoral.
O que ainda existe da paisagem anterior aos aterros?
Curiosamente, algumas das melhores pistas estão nos nomes.
Largo de São Francisco da Prainha preserva a lembrança da antiga Prainha.
Gamboa guarda no próprio nome a referência à antiga configuração costeira.
Valongo continua identificando a região onde existiu uma praia e, posteriormente, um cais.
Rua Pedro Alves atravessa parte do território relacionado à antiga Praia Formosa.
Mas existem evidências muito mais concretas.
Cais do Valongo
É o exemplo mais importante.
Quando o sítio arqueológico foi redescoberto em 2011, as escavações revelaram estruturas pertencentes ao Cais da Imperatriz e, abaixo delas, ao Cais do Valongo.
O que hoje parece estar no interior do bairro ficava diretamente diante do mar.
O reconhecimento como Patrimônio Mundial pela UNESCO, em 2017, consolidou o lugar como um dos principais testemunhos físicos dessa antiga linha costeira — e, sobretudo, como memória do desembarque forçado de centenas de milhares de africanos escravizados.
Morros e encostas
Morro da Conceição, Providência, Livramento e Pinto também ajudam a reconstruir mentalmente a antiga paisagem.
Os morros não foram criados pelo porto.
O que mudou radicalmente foi o chão à frente deles.
Um exercício: tente enxergar a antiga Baía
Na próxima vez em que estiver na Zona Portuária, faça um exercício.
Pare no Largo de São Francisco da Prainha.
Olhe em direção aos armazéns.
Imagine a faixa plana à sua frente desaparecendo e a água se aproximando novamente do morro.
Depois caminhe até o Valongo.
Imagine os degraus arqueológicos continuando até a praia e o mar.
Siga em direção à Gamboa.
Retire mentalmente a Rodrigues Alves, os armazéns e boa parte dos terrenos portuários.
A Baía de Guanabara voltaria a avançar em direção às encostas.
Esse exercício ajuda a perceber algo que nenhum mapa atual deixa evidente:
a região portuária que conhecemos hoje foi construída sobre duas geografias — uma natural e outra produzida pela engenharia.
Endereço e como conhecer essa história a pé
Não existe um único endereço para observar os antigos aterros, porque eles ocupam quilômetros da atual região.
Um bom percurso começa no núcleo histórico da Saúde.
Largo de São Francisco da Prainha
Local: Largo de São Francisco da Prainha, Saúde.
É um dos melhores pontos para compreender a relação antiga entre o Morro da Conceição e o litoral.
Pedra do Sal
Local: Rua Argemiro Bulcão, Saúde.
A formação rochosa e a topografia ajudam a perceber a diferença entre o terreno natural dos morros e a faixa posteriormente aterrada.
Cais do Valongo
Local: Praça Jornal do Comércio, Saúde.
É o ponto mais importante do percurso, porque permite observar fisicamente estruturas relacionadas à antiga praia e aos cais históricos. O sítio arqueológico ocupa a área reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
Avenida Barão de Tefé e Gamboa
Seguindo em direção à Gamboa, observe a distância atual entre os morros e o cais.
Boa parte da faixa plana existente entre eles foi criada ou profundamente remodelada pelos grandes aterros portuários.
Rua Pedro Alves e Santo Cristo
A Rua Pedro Alves é uma referência importante para compreender a região da antiga Praia Formosa e das intervenções realizadas ainda no final do século XIX.
Visitação, preços, dias e horários
O percurso urbano pela Saúde, Gamboa e Santo Cristo pode ser realizado gratuitamente pelas ruas e áreas públicas.
O Cais do Valongo é um sítio arqueológico a céu aberto e pode ser observado a partir do espaço público. Por se tratar de patrimônio arqueológico protegido, o visitante deve respeitar as áreas delimitadas e não tocar ou acessar indevidamente as estruturas.
Para quem deseja compreender melhor a transformação da costa, vale combinar o percurso presencial com mapas e fotografias históricas disponíveis nos acervos da Biblioteca Nacional, Brasiliana Fotográfica, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e Instituto Pereira Passos.
Curiosidades adicionais
A Avenida Rodrigues Alves está sobre uma paisagem artificial
O eixo que hoje parece acompanhar naturalmente a costa foi implantado no contexto da construção do novo porto. Grande parte da faixa onde se encontram a avenida, armazéns e instalações ferroviárias foi criada sobre aterros.
O Cais do Valongo originalmente acompanhava uma praia
A UNESCO destaca uma particularidade importante: o primeiro cais foi construído diretamente sobre a areia da antiga praia, acompanhando seus contornos naturais.
O porto moderno não foi o primeiro aterro da região
Na Praia Formosa e no Saco dos Alferes já existiam intervenções privadas entre 1880 e 1890, antes da construção do grande cais iniciada no começo do século XX.
Ilhas desapareceram do mapa sem exatamente “sumirem”
Ilhas como as das Moças e dos Melões foram alcançadas pelos aterros e incorporadas à nova massa continental. O lugar continuou existindo; o que desapareceu foi sua condição insular.
São Cristóvão perdeu sua praia no século XX
O IRPH registra o aterro da Praia de São Cristóvão e a expansão do cais em direção ao Caju em 1924.
As escavações do Porto Maravilha encontraram uma cidade enterrada
A redescoberta do Cais do Valongo em 2011 mostrou de maneira concreta como sucessivas intervenções urbanas foram construídas umas sobre as outras. A Prefeitura registra que o antigo cais havia sido aterrado em 1911 e permaneceu oculto durante um século.
Então, quanto da atual Zona Portuária já foi mar?
Não existe uma única resposta em metros ou quilômetros que possa ser aplicada a toda a região.
Os aterros ocorreram em épocas diferentes e com objetivos distintos.
Alguns foram pequenos e locais.
Outros eliminaram praias ou enseadas.
E o grande projeto portuário do início do século XX produziu uma extensa faixa contínua de terreno artificial entre os morros antigos e a nova linha do cais.
O mais importante é perceber que boa parte da paisagem que hoje parece natural foi planejada e construída.
Antes da Rodrigues Alves, antes dos armazéns e muito antes do nome Porto Maravilha, existia ali outro Rio:
um Rio de praias, pequenas enseadas, pescadores, embarcadouros, trapiches, ilhas, mangues e morros quase tocando a Baía de Guanabara.
O Porto do Rio não foi apenas construído na cidade.
Em boa medida, ele ajudou a construir o próprio chão da cidade.
Fontes documentais consultadas
Fontes principais
- Instituto Rio Patrimônio da Humanidade — IRPH. Estudos sobre Saúde, Gamboa, Santo Cristo, SAGAS e a transformação territorial da região, incluindo os aterros da Praia Formosa e das antigas ilhas.
- PortosRio. Histórico institucional do Porto do Rio de Janeiro, incluindo as obras iniciadas após a contratação da C. H. Walker & Co. Ltd. em 1903 e a inauguração oficial de 1910.
- UNESCO — World Heritage Centre. Documentação do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, sua relação com a antiga praia, construção a partir de 1811 e camadas arqueológicas posteriores.
- DATA.RIO / Prefeitura do Rio. História territorial dos bairros da região e referências ao Saco dos Alferes e à Praia Formosa.
- Arquivo Nacional. Verbete histórico do Saco dos Alferes e sua localização entre o Saco de São Diogo e a Gamboa.
Fontes de aprofundamento
- LAMARÃO, Sérgio Tadeu de Niemeyer. Dos Trapiches ao Porto: um estudo sobre a área portuária do Rio de Janeiro. Prefeitura do Rio. Estudo fundamental sobre a transformação física, econômica e urbana da região e a construção do porto moderno.
- Kessel, Carlos. A Vitrine e o Espelho: o Rio de Janeiro de Carlos Sampaio. Pesquisa histórica sobre grandes intervenções e aterros na cidade, incluindo referências ao Saco da Gamboa, Praia Formosa e desaparecimento de ilhas.
- Fonseca, Thiago Vinícius Mantuano. Pesquisa acadêmica sobre a região portuária do Rio no século XIX, incluindo as condições territoriais e ambientais do Saco dos Alferes.
- Brasiliana Fotográfica / Biblioteca Nacional e Arquivo Geral da Cidade. Fotografias e documentação visual capazes de mostrar a antiga relação entre Prainha, Saúde, Gamboa e a Baía de Guanabara.
Memória territorial
Nesta pauta, a reconstrução foi feita prioritariamente a partir de documentação cartográfica, histórica, institucional e arqueológica.
Nos próximos levantamentos, relatos de moradores mais antigos da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju e São Cristóvão poderão acrescentar memórias sobre terrenos, cais, antigas instalações ferroviárias e lugares que a população ainda associa aos aterros.
Esses relatos deverão ser identificados como memória oral, e não como substitutos das fontes documentais.
Você tem uma fotografia desse Rio que desapareceu?
A história dos aterros não está apenas nos mapas.
Ela pode estar naquele álbum antigo guardado por uma família da Gamboa, em uma fotografia feita da janela de uma casa no Santo Cristo, em registros de trabalhadores do porto, antigos ferroviários ou moradores de São Cristóvão e do Caju.
Se você possui fotografias, mapas, documentos ou alguma lembrança sobre antigas áreas do porto, compartilhe com o ClassiX Rio.
E se identificar alguma informação que possa ser complementada ou corrigida, fale conosco.
Esta série também está sendo construída com a memória de quem conhece o território.
Marcio do ClassiX
Desenvolvedor Full Stack e fundador do ClassiX. Com mais de 10 anos de experiência em tecnologia, minha missão é criar soluções digitais que transformam o cenário do comércio e da informação no Porto Maravilha em realidade.
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